| 05/03/2010 |
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Ver uma pessoa arrasada, chorando em frente a algum hospital dá a
impressão de que ali, naquele momento, alguém morreu. Em Canoas, esse
comportamento representa uma permissão. É o sinal verde para o lobby das
funerárias. Para preservar a integridade do cidadão e regulamentar o
serviço, a prefeitura prepara lei que obriga os conhecidos papa-defuntos
a manter distância de 500 metros das instituições de saúde, caso
contrário, serão multados.
Segundo a secretária municipal de
Desenvolvimento Econômico, Simone Leite, a proposta, que será
encaminhada nos próximos dias à Procuradoria Geral do Município (PGM),
determinará regras, sujeitas a fiscalização e multas. Uma delas propõe o
afastamento mínimo de 500 metros dos hospitais, valendo para abordagem
de clientes, para a sede da funerária e para os veículos. Apenas será
permitida a aproximação para o deslocamento do corpo.
– Existe
uma lei de 1978, mas está defasada. Com a aprovação da nova legislação,
equipes da Secretaria de
Desenvolvimento
Econômico e da Vigilância Sanitária fiscalizarão o cumprimento das
normas – afirma Simone.
O último acordo entre as 18 empresas do
setor, em prática há quatro anos, estabelece que cada uma delas tenha
direito a 12 horas de plantão no Hospital Nossa Senhora das Graças e
mais 12 horas no Hospital de Pronto Socorro. Para o proprietário de uma
funerária, que trabalha há mais de 25 anos na cidade, Irajá Cardoso,
essa prática de rodízio é comum devido ao crescimento do ramo. Ele
acredita que seria necessário uma melhor seleção das funerárias:
–
A concorrência é grande. Também achamos chato a abordagem, mas ninguém é
obrigado a aceitar. Aliás, os plantões nem dão resultado. Faz dois
meses que não consigo um cliente no rodízio.
- Capital é um
exemplo O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de
Prestação de Serviços Funerários do Estado, Luiz Brum, reprova os
plantões em hospitais e diz que o fato também ocorre em
outras cidades. Brum cita Porto Alegre como modelo a ser
seguido. Na Capital, há mais de 10 anos, a Central de Atendimento
Funerário orienta sobre valores e empresas disponíveis no setor. Ele
considera excessivo o número de funerárias canoenses e aconselha maior
rigor na entrada de novas empresas.
Simone afirma que o Conselho
Municipal de Desenvolvimento Econômico (Comude) sugeriu um limite de
estabelecimentos. A ideia está em análise.
Segundo o presidente
do Comude, Francisco Biazus, outra sugestão é a realização de
revezamento entre as funerárias no atendimento à população de baixa
renda que recebe o auxílio-funeral. Atualmente, a prefeitura, por meio
de licitação, contrata uma única empresa. Por mês, são concedidos cerca
de 30 benefícios.
Fonte: Zerohora.com.br
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