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20/07/2010
Sepultar os mortos em cemitérios públicos de Natal não é tarefa fácil. Se perder um ente querido é sinônimo de dor não é diferente voltar ao cemitério e sequer conseguir localizar a cova onde o parente foi enterrado. Seja no cemitério Bom Pastor I ou no II a falta de organização é tanta que é quase impossível localizar determinados mortos. São túmulos sem identificação e covas espalhadas por todos os lados – muitas feitas em locais que deveriam ser usados como passeio. 

Diante do caos, a  reportagem da Tribuna do Norte percorreu alguns dos cemitérios públicos da capital e se deparou com um enorme descaso.  No Bom Pastor I estima-se que foram sepultados até a tarde de ontem quase dez mil corpos. Inaugurado em 1960 , percorrer as quadras do cemitério requer cuidado. Além do lixo, do mato, há túmulos abertos e é possível sem nenhuma dificuldade visualizar os caixões se desfazendo. É só firmar um pouquinho a vista e identificar partes dos corpos dentro dos caixões. Também é possível encontrar esqueletos inteiros dentro de túmulos abertos.

Alguns corpos são enterrados em valas comunitárias. É a “mágica” que as pessoas que trabalham no local fazem para driblar a falta de espaço físico.  Se, parece assustador presenciar cenas deste tipo, o que dizer de jovens utilizando o local para consumir drogas ou então para se prostituir? É o que ocorre no Bom Pastor I.

Diversos são os depoimentos de pessoas que presenciaram inúmeras cenas lamentáveis, porém, com receio de represália ninguém ousa se identificar.      

Fundado em 9 de fevereiro de 1985, a estimativa é de que seis mil corpos foram sepultados no local até ontem. Também não é possível localizar todos os corpos, túmulos e covas. Não estão todos catalogados. Em um mundo globalizado, onde é possível, em tempo real, se comunicar com pessoas de qualquer lugar do mundo, o que se vê nos cemitérios públicos de Natal é o retrocesso. Nada é informatizado.  

No cemitério Parque de Nova Descoberta a situação é um pouco mais confortável. Fundado em 4 de novembro de 1970 e localizado na zona Sul de Natal não há mais vagas, porém quem trabalha no local diz que os pedidos são encaminhados para o Bom Pastor. Com mais de seis mil corpos também não é possível identificar onde estão sepultados cada um dos mortos.

Servidores contratados pela SS  Construções, Serviços e Empreendimentos Ltda., empresa  terceirizada pela Semsur decidiram ontem manter a greve, que dura quase duas semanas.

Fonte: tribunadonorte.com.br
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