Sepultar os mortos em cemitérios públicos de Natal não é tarefa fácil.
Se perder um ente querido é sinônimo de dor não é diferente voltar ao
cemitério e sequer conseguir localizar a cova onde o parente foi
enterrado. Seja no cemitério Bom Pastor I ou no II a falta de
organização é tanta que é quase impossível localizar determinados
mortos. São túmulos sem identificação e covas espalhadas por todos os
lados – muitas feitas em locais que deveriam ser usados como passeio.
Diante
do caos, a reportagem da Tribuna do Norte percorreu alguns dos
cemitérios públicos da capital e se deparou com um enorme descaso. No
Bom Pastor I estima-se que foram sepultados até a tarde de ontem quase
dez mil corpos. Inaugurado em 1960 , percorrer as quadras do cemitério
requer cuidado. Além do lixo, do mato, há túmulos abertos e é possível
sem nenhuma dificuldade visualizar os caixões se desfazendo. É só firmar
um pouquinho a vista e identificar partes dos corpos dentro dos
caixões. Também é possível encontrar esqueletos inteiros dentro de
túmulos abertos.
Alguns corpos são enterrados em valas
comunitárias. É a “mágica” que as pessoas que trabalham no local fazem
para driblar a falta de espaço físico. Se, parece assustador presenciar
cenas deste tipo, o que dizer de jovens utilizando o local para
consumir drogas ou então para se prostituir? É o que ocorre no Bom
Pastor I.
Diversos são os depoimentos de pessoas que
presenciaram inúmeras cenas lamentáveis, porém, com receio de represália
ninguém ousa se identificar.
Fundado em 9 de fevereiro de
1985, a estimativa é de que seis mil corpos foram sepultados no local
até ontem. Também não é possível localizar todos os corpos, túmulos e
covas. Não estão todos catalogados. Em um mundo globalizado, onde é
possível, em tempo real, se comunicar com pessoas de qualquer lugar do
mundo, o que se vê nos cemitérios públicos de Natal é o retrocesso. Nada
é informatizado.
No cemitério Parque de Nova Descoberta a
situação é um pouco mais confortável. Fundado em 4 de novembro de 1970 e
localizado na zona Sul de Natal não há mais vagas, porém quem trabalha
no local diz que os pedidos são encaminhados para o Bom Pastor. Com mais
de seis mil corpos também não é possível identificar onde estão
sepultados cada um dos mortos.
Servidores contratados pela SS
Construções, Serviços e Empreendimentos Ltda., empresa terceirizada
pela Semsur decidiram ontem manter a greve, que dura quase duas semanas.
Fonte: tribunadonorte.com.br
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